sexta-feira, 20 de julho de 2012

Caim no SESC Ribeirão Preto, dia 17 de julho: teatro lotado e trocas com atores da região!
Matéria de capa do caderno de cultura da cidade sobre a peça:
http://www.jornalacidade.com.br/editorias/caderno-c/2012/07/16/grupo-de-sp-apresenta-espetaculo-sobre-a-trajetoria-de-caim.html

Segunda, 16 de Julho de 2012 - 20h57

Grupo de SP apresenta espetáculo sobre a trajetória de Caim


Baseada na obra de José Saramago e Nilton Bonder, peça busca analisar o homem contemporâneo


Régis Martins
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O primeiro homem a desafiar Deus tem sua história contada de forma onírica no palco do Sesc Ribeirão. Com muita música e humor, o espetáculo "Caim", da Companhia Estelar de Teatro, mostra a trajetória errante desse que é um dos maiores mitos da sociedade ocidental.
De acordo com a Bíblia, Caim, filho de Adão, é condenado pelo todo poderoso a vagar pela Terra depois de matar seu irmão Abel por puro ciúmes.
Livremente inspirada na obra homônima de José Saramago e em "A Alma Imoral", de Nilton Bonder, a peça escrita pela também atriz Viviane Dias busca, através do mito, analisar a situação do homem contemporâneo no mundo, entregue à sua própria sorte.
"Durante a nossa fase de pesquisa, esses livros entraram no caldeirão. Os mitos nos interessam muito porque são um alimento para explicar a nossa época", afirma Viviane, que também interpreta a personagem Lilith na montagem.
De acordo com a tradição judaico-cristã, Lilith foi a primeira mulher de Adão, mas, ao se recusar a ser dominada, foi expulsa do Paraíso e substituída por Eva. "É um mito que pesquiso há muito tempo. Lilith é a transgressão do feminino. O livro de Saramago propõe o encontro entre os dois e resolvemos utilizar isso na peça", comenta a autora.
Ao mostrar Lilith como a "anima" de Caim [veja 2º texto do alto, à direita], Viviane assume a influência da obra do psicanalista Carl Jung. "Caim sai em busca dessa alma gêmea transgressora e, ao mesmo tempo, de si mesmo", explica.
Símbolo
Para a companhia, a desobediência na peça é analisada como uma atitude renovadora, vital ao rompimento de padrões pré-estabelecidos. Caim, mais que um criminoso, seria o símbolo do novo homem, que deixa a tradição de lado em busca das cidades, de sonhos e de vida. Nesse sentido, o filho de Adão é comparado ao mito grego de Prometeu, aquele que desejou conquistar para a humanidade um poder divino e, por isso, foi castigado.
Para levar um tema tão abrangente ao palco, o grupo une artes cênicas, dança e música. "Não é uma peça dramática, porque utilizamos a metalinguagem e elementos do teatro popular", explica Viviane.
"Caim" estreou no Sesc Consolação, em São Paulo, em maio deste ano, depois de oito meses de investigação diária. Depois de Ribeirão Preto, o espetáculo só vai ser apresentado em setembro, no festival de teatro de Penápolis.
Viviane conta que a obra foi o resultado de uma série de experiências que os membros fundadores da companhia acumularam nos últimos anos, em residências artísticas em países como Itália, Dinamarca, Polônia e Índia.
Em 2008, ela e o diretor da peça, Ismar Rachmann, chegaram a participar de um programa de intercâmbio com o grupo do teatro Odin, comandado pelo diretor italiano Eugenio Barba, referência do teatro contemporâneo que esteve em Ribeirão no ano passado.
"O ‘Terceiro Teatro’, criado por Eugenio Barba, é algo que nos inspira muito", comenta a atriz e dramaturga, referindo-se ao movimento inovador criado pelo italiano e que influenciou muitos grupos da América Latina. "A busca por uma nova dramaturgia é algo que acabou acontecendo em nosso processo de criação", conclui.